ORIGENS

  (DA CULTURA VAMPÍRICA)
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Isto não significa que a concepção cristã do vampirismo esteja errada, pois em antropologia não cabe jamais o juizo de valor sobre uma concepção cultural. A concepção cristã do vampirismo, que encara o vampiro e seu mito como agentes de Lúcifer etc é correta em seu próprio contexto cultural, assim como a concepção pagã que dá ao vampirismo um "lugar" e utilidade no panteão dos Deuses também está correta em sua estrutura mítica de organização do mundo espiritual.

Nos idos do século XVIII surge a famosa epidemia de vampiros do Leste Europeu e o vampiro invade as “estradas” da consciência do mundo ocidental, a princípio como uma onda de terror divulgada pela obra de Dom Augustin Calmet... em seu livro "Dissertação sobre as aparições de Anjos, Demônios e dos Espíritos, e sobre suas assombrações, e vampiros da Hungria, da Boêmia, da Morávia e da Silésia" de 1746, e depois como um novo mito...na literatura que surgirá. Os gabinetes de anatomia proliferam na Europa e todo nobre se vangloria de dissecar cadáveres, enquanto concomitantemente a este pensamento surge um Marquês de Sade que unifica prazer e dor num culto ao fetiche. Surge o gótico enquanto estilo literário romântico, unificando beleza e horror...e a decadência dos objetos desgastados pelo tempo passa a sugerir perpetuidade... imortalidade. Surge no século XIX as experimentações psíquicas, as mesas voadoras, os ectoplasmas e fenômenos fantasmagóricos estudados pelo espiritismo nascente. Em pleno romantismo o reino da morte é antes uma dimensão amiga. Advém nesta esteira autores de livros de magia como Francis Barrett em seu "Magus" de 1801, e Eliphas Levi em seu "Dogma e Ritual de Alta Magia" de 1855, e Madame Blavatsky que funda em Nova York a Sociedade Teosófica em 1875. Tanto a obra de Eliphas Levi quanto de Blavatsky se referem a vampiros de energia vital, tanto encarnados como desencarnados, e a vampiros de sangue, e de como a alma astral destes mortos-vivos pode voltar como fantasmas a extrair a energia vital e em certos casos até o sangue de seres vivos.

Blavatsky em sua obra clássica "Isis sem Véu" de 1877 trata extensamente sobre esta possibilidade. Sua obra e de seus discípulos argumenta que haveria uma sabedoria secreta e arcaica mantida por sociedades secretas através das idades. Madame Bravatsky interpretará o vampirismo enquanto magia e alquimia sombrias, e ela e seus discípulos recuarão os ecos das origens do vampirismo místico enquanto Arte Negra aos Senhores da Face Sombria na Atlântida... Hoje há evidências paleoantropológicas às dezenas sobre achados que não se adaptam a nada que as teorias aceitas preconizam, em relação à antiguidade do ser humano e sua cultura no mundo...no lado “B” da antropologia física e arqueológica muito pouco divulgado pela ciência oficial, mas recentemente popularizados na obra "Arqueologia Proibida" que no Brasil veio como "A História Secreta da Raça Humana" do historiador Michael A. Cremo e do matemático Richard L. Thompson.

A "The Hermetic Order of the Golden Dawn", pelos idos de 1893 produziram documentos que entre outros assuntos tratavam sobre vampirismo de encarnados e desencarnados. Há rumores que Bram Stoker pertencera à Golden Dawn ou tivera acesso aos documentos e conhecimentos da mesma. O célebre ocultista Aleister Crowley, que pertenceu à Golden Dawn, por sua vez ensinará para os membros da organização que fundará, a Ordo Templis Orientis, uma forma de vampirismo sexual. Já no século XX, a psicóloga Dion Fortune, ex-membro também da Golden Dawn, em sua obra “Autodefesa Psíquica” de 1930, expõe, divulga e populariza certas formas de vampirismo praticado por pessoas vivas e/ou desencarnadas, enfatizando que um vampiro de energia pode "transmitir" a outra pessoa a condição vampírica, por um fenômeno de "osmose de energia em cadeia", conforme explicaremos em outro ponto.

Paralelamente se expande a presença do vampiro em produções artísticas, como na literatura, cinema, pintura etc durante todo século XX e finalmente por RPGs, surgindo por fim a moderna Subcultura Vampírica timidamente em meados da década de 70 do século XX, se expandindo sutilmente na década de 80 através de publicações caseiras e zines, que visavam divulgar e criar vínculos entre outros na mesma condição (conhecer e se unir a semelhantes, trocar experiências, algo que podemos observar em meados e nesta segunda metade da década de 00 do século XXI no Brasil em comunidades de vampiros reais, por exemplo no ORKUT), e a partir dos anos 90, com o advento da internet o processo de conhecimento mútuo, trocas e auto conscientização da comunidade vampírica dos EUA foi acelerado, aprofundado, surgindo uma subcultura sólida, ocorrendo nas décadas de 90 e 2000 (atual), o "boom" da subcultura vampírica, com um crescimento súbito.
Mas isto será tratado em maiores detalhes quando falarmos
sobre as Houses e Ordos que foram surgindo.
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