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Na obra clássica para a Antropologia das Religiões de Emile Dhurkheim "As Formas Elementares da Vida Religiosa" de 1912, este afirma"Não há religião que não seja, ao mesmo tempo, a cosmologia e especulação sobre o divino. Se a filosofia e as ciências nasceram da religião é porque a própria religião, no princípio, fazia as vezes de ciência e filosofia" (Durkheim, 1989, p. 37).
Para a antropologia pós moderna (Dhurkheim não chegou tão longe em sua época) a religião é uma forma de ciência, e a ciência, mesmo as físicas e naturais de nossos dias, uma forma de religião... como bem demonstra a epistemologia, isto é, a ciência da ciência, que aprofundemos mais tarde. O importante é que a antropologia com isto rompe ou tenta romper com o etnocentrismo do pensamento da civilização ocidental, que considera que apenas sua ciência e seu pensamento científico, aquele da física, da química, da biologia, da sociologia etc, são ciência...e que o conhecimento das "outras" culturas são apenas crença, superstição, folclore, mitos sem sentido, ou religião dita de forma pejorativa, isto é... são uma não ciência. À esta postura a Antropologia chama de atitude etnocentrista, isto é, julgar outras forma de pensar pela nossa cultura e forma de ver o mundo... isto é, o que não for igual ao que eu e minha sociedade pensamos é errado, falso, primitivo e ridículo... Um exemplo de etnocentrismo é esta frase do próprio Dhurkheim: "Saída da religião, a ciência tende a substituir essa última em tudo que diz respeito às funções cognitivas e intelectuais" (Durkheim, 1989, p. 507). Esta é a visão de uma época em que se aceitava o evolucionismo social, isto é, a sociedade ocidental em que vivemos é a mais evoluída de todas, e todas as outras evoluem para ser um dia como nós... e pensar como nós, e ter uma ciência e visão de mundo como a nossa.

Hoje a antropologia não aceita mais isto. A antropologia mostra que não há uma única forma de organizar e interpretar as informações que nos chegam do mundo, e as religiões modernas ou arcaicas são algumas destas outras formas de pensar e se fazer ciência.

Esta reflexão que pode ser denominada de "Antropologia Simétrica", pode ser entendida lendo-se os livros do filósofo e etnólogo francês Bruno Latour em suas obras "Jamais fomos Modernos", "Ciência em Ação" e "Vida de Laboratório".


Bruno Latour

Agora a definição clássica de religião por Dhurkheim: "Religião é um sistema solidário de crenças seguintes e de práticas relativas a coisas sagradas, qual seja, separadas, proibidas; crenças e práticas que unem na mesma comunidade moral, chamada igreja, todos os que a ela aderem". (Durkheim, 1989, p. 79). Por igreja aqui se entenda a comunidade religiosa reunida no local de sua celebração religiosa. Isto é, a religião é fenômeno coletivo, jamais individual, e reflete as características da sociedade em que se encontra, mais que isto, a religião e seus Deuses ou Deus refletem no plano mítico a sociedade que lhe deu origem, e tudo que ela tem, seu sistema de governo, valores, normas e crenças.

A Sociologia da religião propõe a seguinte divisão dentro das religiões, lembrando que esta é necessariamente artificial, logo é uma representação da realidade, não a realidade:

Igreja: organizadas e poderosas, com corpo burocrático e poder político, por vezes se confundido com o próprio Estado, dominando grandes extensões geográficas e grandes massas humanas. Seus rituais são mais apolíneos (com pouca exibição de emoções e êxtases durante as cerimônias). Exemplo: Cristianismo Católico na Itália, Cristianismo Anglicano na Inglaterra, Judaísmo em Israel, Islamismo no Oriente Médio, Hinduísmo na Índia etc.


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