AMÉRICAS

página 1 de 3

PRÓXIMO >>>

As culturas americanas possuem registros bem antigos da prática de vampirismo, associados a entidades espectrais, de pessoas mortas, feiticeiros e Deuses, associados às antigas Religiões Maias, Astecas, entre outras.

Na Religião da Cultura Urus onde hoje é a Bolívia na América do Sul, o antropólogo francês Nathan Wachtel em seu trabalho de etnografia junto àquela cultura, que lhe rendeu um livro intitulado "Deuses e Vampiros" editado pela USP em 1996, relata o mito de um vampiro, isto é, de um ser que pratica vampirismo nas desertas regiões dos Andes Bolivianos, extraindo sangue e gordura de suas vítimas, em sua busca por energia vital, conforme palavras do próprio antropólogo. Estes vampiros andinos são conhecidos naquela cultura como "Kharisiri" (que vem de "Kharina", que significa "cortar alguma coisa com uma faca afiada"), embora o nome varie de região para região, mas sempre associado ao mesmo sentido. Assim é conhecido também como "Nakaq" (que vem de "Nakay", que significa "estripar"), ou ainda "Pishtako" (que vem de "Pishtay" que significa "cortar em pedaços"). Este vampiro é especializado em retirar "gordura" de seres humanos, porém como argumenta o antropólogo, nas línguas regionais "quíchua" e "aimará" gordura e sangue são termos comuns e equivalentes, podendo ser traduzidos sem perda de sentido, tanto como gordura ou sangue, pois tem o mesmo sentido, qual seja, "reserva de substância vital" ou poder criador. A pessoa vampirizada se não morria na hora, vinha a falecer dias depois de anemia e afecções pulmonares. Em sentido inverso, a "gordura" humana era considerada um remédio excelente para pneumonias e tuberculoses, tendo este mito se difundido da América do Sul para a Espanha nos idos do século XIX. As vítimas preferenciais do Kharisiri, eram os viajantes das terras selvagens, nas paragens solitárias nas montanhas andinas. Seja como for, nas tradições andinas, sangue e gordura de animais são as oferendas por excelência às entidades sagradas, os Deuses. Não havia, evidentemente, culto nem tais oferendas aos "Kharisiri", pois estes roubavam a vitalidade dos seres humanos. Há registros destes mitemas desde o século XVI, nas crônicas de Cristóbal de Molina em 1571 D.C., mas pode ser bem anterior, de origem Inca ou de culturas arcaicas da região.


Exibir mapa ampliado



PRÓXIMO >>>


. . .