POR QUE SAGRADO
VAMPÍRICO?

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Expondo de forma bem sintética, o autor chega à conclusão que todas as manifestações do sagrado, seriam constituídas dos seguintes elementos:

MYSTERIUM: o estranho, o sobrenatural, paradoxal, o parcialmente conhecido e parcialmente ignorado, incompreendido mas não ignorado, o inexplicável, o extraordinário (mirabile), não apenas supra-racional mas aparentando ser anti-racional, desconcertante, estabelecendo contrastes, oposições e contradições, o irracional observado pelo racional, inspirando terror e entusiasmo. Ora, estas são características presentes no mito do vampiro e como eram eles sentidos pelos povos das regiões em que havia sua ocorrência.

TREMENDUM: terror místico associado ao Mysterium, inspirando respeito, medo e terror, o espanto que paralisa. O vampirismo espiritual (astral e fantasmagórico, como veremos em detalhes), está carregado de medo.

FASCINANS: fascinação associada ao Mysterium, aquilo que nele seduz, encanta, atrai, arrebata, arrasta, produzindo êxtase, enebriamento em uma excitação dionisíaca. A fascinação e o glamour dos vampiros são conhecidos de todos.

MAJESTAS: poder imensamente superior ao ser humano comum, com aniquilamento do "eu" humano mortal. De fato as vítimas de vampirismo mítico se sentem esmagadas por um poder que as transcende e desconhecem e os vampiros míticos anseiam por este poder que transcende o humano.

ENERGICUM: paixão, vontade, força, atividade, impulso, zelo, tensão, ardor devorador que o sagrado excita, quer a favor, quer contra. Tanto na prática do vampirismo, como na daqueles que os combatem, temos a paixão que o amor e o terror despertam.

AUGUSTO: o valor do sagrado, seu caráter ilustre, de nobreza, distinto de tudo que é vulgar e profano. A iniciação torna o vulgar em nobre. Vampiros enquanto xamãs, magos e feiticeiros são nobres, pois raros e seletos, e a magia considerada uma realeza, desde a mais alta antiguidade. Quer Deus ou os Deuses de natureza vampírica cultuados entre os Maias, Astecas, no Hinduísmo, Budismo Tibetano etc, quer Deus ou os Deuses evocados pelos fiéis que combatem o vampirismo, quer os vampiros em si, são todos "Augustos", no sentido que não são vulgares, mas pelo contrário, sendo até semi-divinos em seus poderes.

NUMINOSO: palavra criada por Rudolf Otto (derivada do latin "numen" = inclinação, pendor ou vontade divina, de Deus ou dos Deuses) condensaria em si mesma todas as acima, algo que pode ser sentido, segundo ele, nos grandes monumentos arquitetônicos (Pirâmides, Catedrais Góticas etc), nos milagres, no vazio dos imensos desertos e paisagens amplas... no vazio e no silêncio dos cemitérios...nas paisagens Taoistas que evidenciam sempre o vazio.... a idéia de Nirvana Budista e Zen Budista, que é tudo e nada ao mesmo tempo... os ambientes e objetos a meia luz, obscuros realçados por contrastes, como por velas acesas no escuro... em uma penumbra mística que igrejas, mesquitas e templos que os mais diversos povos e culturas tiraram proveito para excitar o "Numinoso", o sagrado.... Para o autor o sentimento NUMINOSO pode ser excitado e provocado, e esta é a essência da prática religiosa.

Mircea Eliade, historiador das religiões, em sua obra "O Sagrado e o Profano", elogia Rudolf Otto e procura ir além.
Mircea Eliade
Mircea Eliade (1907 - 1986)


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