POR QUE SAGRADO
VAMPÍRICO?

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Émile Durkheim
Émile Durkheim (1858 - 1917)

Assim, de forma geral, as coisas sagradas não devem, segundo ele, serem tocadas pelas profanas e, a única maneira de adentrar no mundo do sagrado seria através da iniciação, na qual a pessoa através de rituais simbólicos e apenas simbólicos, "morre" para o profano, e "renasce" para o sagrado.


As coisas sagradas seriam assim protegidas e isoladas das coisas profanas por interdições, enquanto as profanas seriam aquelas de nosso contato diário.
Como veremos um dos traços fundamentais na prática do vampirismo em todo mundo é sua associação ao mundo dos espíritos, dos mortos, aos túmulos e à capacidade de alguns xamãs, feiticeiras e magos de viverem entre o mundo dos encarnados e o dos desencarnados, dada sua capacidade de verem o plano dos espíritos e dos Deuses, e de
conseguirem fazer com que suas almas saia de seus corpos físicos/ materiais,
e caminhe pelo outro mundo, no além, podendo assim agir como fantasmas,
íncubos, súcubos e vampiros.

Por assim dizer, tais pessoas em suas práticas vampíricas, cruzariam constantemente as fronteiras entre o mundo sagrado e aquele profano de nosso dia a dia. Ora, tais práticas são interditas da maioria, e elas mesmas matéria de iniciações em que um mestre ensina seu discípulo nas artes da magia. A iniciação se dá por rituais, que são ritos de passagem, conforme descreveremos mais detalhadamente depois, dão acesso ao novo iniciado a uma nova realidade. Logo o mago,
feiticeira ou xamã que ensina o vampirismo está transmitindo algo que não é profano, não é do contato normal das pessoas em seu dia a dia, está transmitindo algo Sagrado...
Por outro lado, os rituais de defesa contra os praticantes de vampirismo, se dirigem
a algo interdito, segregado, separado e sempre associado à religião local, logo associado por esta abordagem de Durkheim a algo também sagrado.
Os rituais são aqui as regras de conduta para com o sagrado, a maneira de se entrar em contato com o mundo espiritual, base do vampirismo e dos vampiros, conforme mitos espalhados em diversas culturas, conforme podem ver em detalhes no tópico "MITOS PELO MUNDO".
Afirma Durkheim que a religião surge justamente quando um certo número de coisas sagradas mantém relação e unidade entre si, formando um conjunto de crenças e ritos. A alma dos mortos, Deus, os Deuses, Espíritos da Natureza, Anjos, Demônios, Lobisomens, Vampiros, Fantasmas etc, são todos pertencentes ao universo do Sagrado. Mesmo os inimigos dos Deuses ou de Deus, como Satã e Lúcifer no cristianismo, ou o Cronos/ Saturno da religião greco romana, os Râkchasas e Pisâchas da religião hindu, etc, embora opositores dos Deuses da religião dominante, pertencem todos ao rol das entidades Sagradas segundo Durkheim.

Já o autor Rudolf Otto, historiador das religiões, em sua obra hoje clássica para a Antropologia da Religião,"O Sagrado" (1917), procura analisar e identificar os elementos constituintes do sagrado, ou mais exatamente, o que sentimos diante do sagrado.

Rudolf Otto
Rudolf Otto (1869 - 1937)
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