POR QUE SAGRADO
VAMPÍRICO?

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A Deusa Kali (Kali significa "negra" e/ou "tempo") possui um elemento de vampirismo (mitema) em seu mito, qual seja, quando um inimigo dos Deuses chamado "Raktabija" (Rakta = sangue e Bija = semente) está prestes a destruir todos os Deuses, Kali é convocada para lhe fazer guerra, porém a cada gota que cai do mesmo no solo, nasce uma nova duplicata de Raktabija, a ponto da batalha ficar como que perdida. Diante disto Kali passa a vampirizar o sangue de Raktabija e devorar suas duplicatas, e assim o vence. Ela é seguida por uma séquito de entidades hindus chamadas de Dakinis, vampiras (azra-pas), segundo o texto hindu dos "Puranas". Mahakali (1) , ou a Grande Kali com dez braços é sua manifestação universal e transcendental, associada pelo texto "Kalika Purana" ao imanifestado Brahman, que pode ser traduzido como da natureza do "Nirvana" dos budistas. No budismo as Dakinis passam a ser instrumentos da iluminação búdica. Enquanto Deusa do Tantra Yoga, que são as técnicas de aprimoramento espiritual que promovem a identificação com os Deuses e a energia sexual para promover a iluminação, assim como o despertar das faculdades ocultas do homem. Kali então é denominada, entre outros nomes, de "Kali Smashan" ou "Kali dos crematórios", pois queima todo carma, possuindo quatro braços (2), um tridente e uma espada recurvada nas mãos direitas.
Kali e as Dakinis são entidades sagradas na religião indiana.


Mas o que é o SAGRADO?
Pode o vampirismo ter alguma coisa a ver com o Sagrado?
O Vampirismo não seria algo extremamente profano?

Importante salientar que o termo "sagrado" em antropologia da religião não tem o mesmo significado que muitas vezes o senso comum lhes empresta. Vejamos:

Émile Durkheim, um dos pais da Sociologia, em sua obra seminal da Antropologia da Religião, "As Formas Elementares de Vida Religiosa" (1912) coloca que o mundo pode ser divido, por assim dizer, em sagrado e profano, e que ambos nada têm em comum entre si, sendo mesmo hostis um ao outro e, embora a maneira como este contraste possa variar, o contraste em si destas duas realidades seria universal e presente em todas as culturas do mundo.

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