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Os Ghouls ganharam uma representação estelar, a estrela "Ras al Ghoul" em Árabe, ou "cabeça do Ghoul", mais conhecida como "Algol", um sistema estelar formado por três estrelas, das quais duas giram uma em torno da outra de forma a se eclipsar a cada 3 dias e criar uma forte flutuação de seu brilho. Por influência cultural grega a constelação em que se encontra receberá o nome de "Perseus", um personagem mítico que segura a cabeça decepada da "Górgona Medusa" (ver imagem 3 acima, de escultura de Benvenuto Cellini (1500 - 1571)), que tem cabelos de serpentes e em algumas
fontes o corpo de uma serpente.

Algol foi "traduzida" e associada pela cultura grega ou de influência grega com a Medusa, ficando mais especificamente no olho "esquerdo" da mesma na constelação (veja imagem 4 na página anterior, da consteção). Algol passa a ser a estrela mais nefasta e sombria existente para a astrologia e magia ocidental e chinesa, astrologia esta de origem mesopotâmica, assim como o "Gallu" babilônico e o "Ghoul" Árabe, do qual as "Mil e uma noites" não passam de coletâneas de diversos autores e místicos que viveram em uma época pré-islâmica, em que proliferavam diversos "djinns" ou gênios e espíritos dos desertos, que eram cultuados, seguidos e temidos, como resquícios tardios de uma região que conheceu diversas civilizações, como a sumeriana, assíria, babilônica etc, da qual derivam os Persas e todos os mitos locais.

E assim os Ghouls ou (Ghilan no plural) tinham o poder de transformar pessoas em "animais", isto é, animalizar suas consciências pelas artes negras, e a Medusa tinha a seu turno o poder de tornar uma pessoa como "pedra". Os dois extraiam das pessoas sua humanidade, que viravam "animais irracionais" ou "secavam" como rochas. Este sincretismo mítico e religioso ocorre na maioria dos mitos pelo mundo, e também com o mito do vampiro.

Mas será que podemos considerar os Ghouls vampiros? O que os assemelha a vampiros?
Ora, os Ghouls se alimentam de sangue ocasionalmente, estão associados aos cemitérios, são mortos vivos, podem se materializar espiritualmente em diversas formas, humanas ou animais, e são versados em magia, os que os torna semelhantes a mitos vampíricos diversos pelo mundo. Mas são antropófagos, comem cadáveres, enfim, não são exatamente o retrato dos vampiros da maior parte do resto do mundo. Como entender isto?

Mas o que é Mito em Antropologia?

Mitos são estórias e histórias, de cunho simbólico ou não, de natureza sagrada, ou profana que passa a ter características de sagrada, contatadas de geração a geração, e capazes de justificar e dar o modelo de toda uma sociedade, coletividade, religião, ideologia política etc.

O historiador das religiões Mircea Eliade , em seu livro "Tratado de História das Religiões" de 1940, afirma que o objetivo dos mitos, ou o uso que se faz dos mesmos, é determinar o modelo de ação para todos os ritos e ações sociais importantes. Assim os mitos budistas, cristãos, hinduístas são os modelos de comportamento para seus seguidores. Mitos heróicos militares são o modelo para os militares. Mitos personificados em grandes personagens históricos e políticos, se tornam modelos das ações políticas de seus partidários. O mito é o modelo do fazer em sociedade. Mitos servem como modelo para a arquitetura, de modelo religioso, de modelo político, e como modelo de comportamento e socialização.

Em função disto podemos perguntar: o mito do vampiro serve de modelo para que tipo de ação em sociedade? A resposta certamente será ampla e variada, pois variados são os tipos humanos e variadas são as sociedades e culturas em que estão inseridos. No entanto a pergunta persiste: a que tipo de comportamento o mito do vampiro serviria de modelo?

Certamente o mito do vampiro suscita admiração de muitos, como demonstram o extremo sucesso de produções literárias e cinematográficas desde o início do século XX, a ponto de suscitar, a partir dos anos 70 do século passado, que uma quantidade crescente de pessoas queiram se tornar "vampiros". Mas que modelo de comportamento associam a isto?


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