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Sagrado Vampírico: Sagrado Vampírico: Você é estilista e modelista, tendendo para a moda gótica e steampunk. Fale-nos, por favor, um pouco sobre o que te levou para este ramo, sobre o ESTILO DE SUAS ROUPAS, e o que procura levar com sua arte?

Aradia: Eu faço isso desde que tinha 8 anos de idade. Apenas fui melhorando um pouco. Não sei porque gosto desse tipo de moda mas em toda a minha vida sempre acrescentei algo de antigo em tudo o que usava e fazia. Sinto-me melhor assim, tenho prazer em fazer e usar. A nostalgia é algo que me encanta. Em minha casa você encontrará um verdadeiro museu de coisas que para a maioria das pessoas seriam inúteis e até engraçadas mas precisamos ser por fora o que somos por dentro. Se alguém compactuar com minha forma de viver o mundo e quizer uma de minhas peças eu farei com o maior prazer.

Sagrado Vampírico: Sabemos que a moda em roupas é um dos ramos das artes que mais tem associação com a moderna subcultura vampírica, tanto de pessoas que seguem exclusivamente um estilo de vida vampírico (lifestylers), quanto daqueles que seguem uma via mística dentro do vampirismo real, embora para se ser um vampiro real, como sabemos, a roupa pouco importa. No entanto o estilo gótico, BDSM e fetichista, pelo menos, são dos mais badalados em nosso meio em todo mundo Ocidental. O que pensa sobre isto? Por que você acha que a associação com os estilos que citei ocorrem?

Aradia: Eu penso que o que se usa simplesmente reflete o nosso interior. Todos no mundo, humano ou animal desejam expressar o que pensam e como são por dentro. Como é dificil de encontrar um vampiro que não goste de sua natureza e sabem da associação que os humanos comuns fazem sobre o seu comportamento, simplesmente se mostram. Da maneira mais perceptivel. Quanto ao fetiche e ao BDSM, fica um pouquinho diferente. São muito importantes para vampiros sexuais que absorvem essa energia. Muitos somente se alimentam dessa forma. Se dentre os fetiches também estiver incluindo o sangue eu não o considero um fetiche mas sim uma necessidade para muitos. Quem o usa como fetiche não é um de nós e corre sérios riscos.

Sagrado Vampírico: O que há de vampírico em sua moda? De que maneira você associa sua criação e moda ao pensamento e filosofias do vampirismo real?

Aradia: Sendo um vampiro você passa dia a dia a ter uma ligação direta com o seu passado e com suas vidas anteriores. Isso traz recordações consciêntes ou inconsciêntes e muitas trazem alegrias. Geralmente não há como fugir. A moda é uma forma de tornar isso mais físico. A moda que faço é baseada em minhas vivências. É claro que faço adaptações quantas forem possíveis, sem descaracterizá-las para que não me sinta em um baile de carnaval.

Sagrado Vampírico: Você pertence à Equipe Executiva dos Serões da Quimera, um projeto de Madame X, da HOUSE OF THE DREAMING, de Nova York. Nos fale, por favor, o que é o Serões da Quimera, qual seu objetivo e de sua experiência junto ao mesmo?

Aradia: Sim, os Serões da Quimera é uma guilda idealizada por Madame X alguém de quem eu gosto e respeito muito. A guilda como você sabe, não reúne somente vampiros mas tambem otherkins, cisnes negros, magos, bruxos enfim, pessoas interessadas por algum motivo em conhecimento e vivências dentro desses mundos. O objetivo é saber mais sobre vampirismo real e o que está acontecendo durante o despertar. Isso é muito importante para os que se encontram nesse processo e também para os que convívem com eles. Já vi muitos participantes me dizerem que quase tentaram suicídio por desconhecerem o que estava acontecendo com eles. Dentre todos os participantes, dos que tenham interesse na guilda, durante os dois anos que tenho estado no projeto, a maioria é de curiosos simplesmente. Quando descobrem que o que se fala por lá só é poético para vampiros reais acabam se desinteressando. Dentre os vampiros reais que lá estão ou já passaram, muitos já conseguiram forças para seguirem seus próprios caminhos. É triste para quem fica pois nos tornamos amigos com hora marcada para o encontro. Dizemos coisas muito pessoais e descobrimos que outros sabem do que estamos falando. Mas não podemos esquecer a função da guilda que é exatamente essa, fazer com que cada um compreenda e possa lidar consigo mesmo da melhor maneira possível e enfim,
caminhar com suas próprias pernas.

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