UM HINO VAMPÍRICO NOS TEXTOS DAS PIRÂMIDES
A MAIS DE 4350 ANOS

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Quando nós, em nossa cultura, olhamos uma pedra... vemos uma pedra, se olhamos um rio... vemos um rio e assim por diante. Assim para nós o mundo está bem dividido. Na concepção egípcia ao se ver uma pedra toco todo o país...todas as terras... todos os tronos... todos os túmulos... toda estabilidade... toda estátua, toda perpetuidade...toda imortalidade, assim como uma lagoa vira um portal das “águas” celestiais, do céu azul e das estrelas. Estas associações podem se ligar a outras numa malha complexa que tende a fundir as coisas.

Algo semelhante ao que ocorre em psicometria, ou a capacidade psíquica de ao tocar um objeto se ver o passado que este objeto “presenciou”, e dos locais onde esteve, sendo portanto a cosmologia egípcia de mundo um instrumento que nos treina o desenvolvimento da clarividência. As imagens egípcias são polissêmicas (com muitos significados...ou melhor um portal para varias coisas, regiões, forças, etc), e são performáticos, isto é, portais para a vinda de uma natureza ativa, de poderes vindos do plano da mente e das emoções. O mundo assim passa a ser uma metáfora...com infinitos portais para onde quer que olhemos. Um mundo fluídico...que se “desintegra” diante de nossos olhos...em múltiplas conexões que integram coisas distantes no tempo e no espaço, assim como qualidades e quantidades que para a nossa cultura seriam impensáveis integrar e associar.

Com este espírito, e sabendo que estamos pisando terras culturalmente exóticas, procuremos ler alguns trechos deste hino multimilenar. Colocarei entre chaves [ ] algum comentário possível. Não dá para colocar todos os trechos, e exibiremos aqui um resumo apenas: Vamos lá.

397) Unas é o búfalo celestial, aquele que destrói à sua vontade, que vive no ser de todos os Deuses, que se alimenta de suas entranhas, mesmo daqueles que vêm com seus corpos cheios de magia da Ilha do Fogo. [nascer do lago do duplo fogo será usado no futuro como símbolo do nascimento sobrenatural (iluminação) da adepta/adepto no “Per en Hru” ou Livro dos Mortos Egípcio].
(...)
400) Unas é aquele que prepara por si mesmo sua refeição. Unas é aquele que se alimenta de homens, e que vive nos deuses, Senhor dos portadores de mensagens. [“mensageiro” em alusão a Toth, senhor da magia, da escrita, da Lua e da sensitividade].
(...)
403) (...)  e irá extrair para ele o que está em seus corpos
 (...)
Em verdade, Shesmu [Deus presente desde a III dinastia, Deus dos ungüentos, dos embalsamadores, mestre dos perfumes, das adegas e vinhos vermelhos (associados ao sangue) que se dava ao morto para que recobrassem as forças e a vitalidade] corta-lhes [a garganta, conforme especificado em parte anterior do texto] para Unas e prepara-lhe a refeição resultante em pratos para o jantar.
Unas é aquele que come suas magias, e absorve seus espíritos. [Akr, o espírito imortal de todos os seres, o corpo imortal por excelência].
404) Os grandes são para o desjejum dele.
Os medianos para o jantar dele.
Os pequenos para a refeição noturna dele.
(...)
407) ...Para Unas este é o grande poder que excede os poderes
Unas é uma imagem sagrada, a mais sagrada imagem,
Da sagrada imagem da Grande Unidade.
Quem ele encontra em seu caminho ele devora aos poucos.
(...)

 

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